Descubra!

Resultados da pesquisa

Mostrar mensagens com a etiqueta diversos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta diversos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Regresso ao passado...




À espera de homologação para circular pelas ruas do Porto...voltam os autocarros do amor...

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Um cê a mais...


Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. São muitos anos de convívio



Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar.

Via: http://cortex-frontal.blogspot.com/, http://cortex-frontal.blogspot.com/ e finalmente http://aeiou.visao.pt/um-ce-a-mais=f574629

sexta-feira, dezembro 10, 2010

No mínimo, estou aliviado: a ver pelo exemplo que sempre constituem os “famosos” que pontuam as revistas cor-de-rosa, este vai ser um Natal “à antiga”. Cláudia Vieira, por exemplo, na VIP, acha que “as pessoas não têm de ter a obrigatoriedade de dar presentes. O que dá significado ao Natal é passar uma noite agradável, confortável, em paz, com as pessoas de quem mais gostamos”. Na Nova Gente, uma misteriosa Bernardete Sabrosa, cuja profissão nem chega a ser revelada e parece não ter nada a ver com o futebolista, afirma que ama “o Natal, mas não no sentido dos centros comerciai, das luzinhas irritantes e das compras à última hora!”. Bem mais popular, a apresentadora Fátima Lopes não compra presentes nem para os amigos nem para os familiares, só para as crianças. Diz à Flash: “O Natal começou a perder o seu verdadeiro significado, que é ser uma festa de família. O presente é uma coisa perfeitamente dispensável”. Também Jéssica Athayde se mostra indignada na Caras: “Este consumismo irrita-me imenso. (...) Sou contra esse consumismo e não me interessa nada a questão de dar ou receber presentes”. São só alguns dos muitos exemplos que tenho lido.
Sinceramente, esta combinação espontânea de despojamento e humanidade que atravessa as nossas figuras da TV e os “famosos profissionais” comove e deixa-me o coração quente.
... Já não consigo vislumbrar com tanta facilidade a coerência entre o discurso do ódio ao consumismo, nesta época do ano, e o apelo desenfreado ao consumo que as mesmas figuras fazem todo o resto do ano nas campanhas de publicidade que protagonizam, nas “presenças” nos lançamentos de produtos, nas galas onde exibem os vestidos e as jóias, nos concursos onde oferecem sonhos e expectativas, na fúria do “caça-presentes” em qualquer lançamento de telemóvel ou consola.
Ou seja: de Janeiro a Novembro, é tudo estrada – e chegados a Dezembro, vamos lá ser solidários, pensar nos pobrezinhos, e fazer o discurso socialmente correcto. Por pouco não parecem políticos em campanha eleitoral.
Acho que, apesar de tudo, prefiro o comum dos mortais, que chega a este mês final do ano e pensa: que se lixe o subsidio, “bora” lá fazer umas compras antes que venha o IRS. Como se não houvesse amanhã.

Texto retirado de Pedro Rolo Duarte com a devida vénia!