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quarta-feira, março 09, 2016

Cavaco foi com o caralho!

Cavaco Silva deixou de ser Presidente da República e têm-se lido, nas redes sociais e em alguns meios de comunicação social, várias críticas ao antigo inquilino do Palácio de Belém. 
Salvo algumas declarações de membros dos partidos de direita, não se tem visto o merecido e necessário reconhecimento ao papel de Cavaco Silva para a política e para o país, nos últimos 30 anos. 
Não é por Cavaco ser o Presidente com a mais baixa taxa de popularidade da nossa história que não devemos realçar o contributo que a sua intervenção política nos deixa. Vai daí, aqui fica uma pequena lista, não exaustiva, de agradecimentos que quero deixar a Cavaco.
Um agradecimento a Cavaco pela destruição da frota pesqueira nos anos 80, e pela demonstração de coerência ao eleger o mar como o grande desígnio da sua presidência.
Agradecer a Cavaco a atribuição de pensões a dois inspetores da extinta PIDE/DGS, recusando-a a Salgueiro Maia.
Um sentido agradecimento pela forma hábil de lidar com contestação social, de que as cargas policiais na praça da portagem da Ponte 25 de Abril são, talvez, o melhor exemplo.
Agradecer a Cavaco pela genialidade nos negócios, tendo conseguido lucrar milhares de euros com ações da SLN, detentora do BPN, que hoje pagamos todos.
Agradecer, também, pela hipocrisia demonstrada aquando das cerimónias fúnebres de José Saramago, ocasião em que resolveu demitir-se das suas funções e dedicar-se a brincar com os netos.
Há ainda que agradecer a Cavaco pela gentil oferta do Pavilhão Atlântico ao genro, a um custo incrivelmente baixo. Um negócio que nos deve inspirar e motivar a todos.
Um agradecimento pelo seu lastimável discurso de tomada de posse em 2011, que incluiu um apelo a sobressaltos cívicos, e onde revelou uma peculiar noção do "limite dos sacrifícios", cuja peculiariedade reside no facto deste limite ter desaparecido assim que a direita assumiu a governação do país.
Um último agradecimento por ter oferecido à política e ao país figuras como Dias Loureiro ou Oliveira e Costa. Estou certo que estes também lhe estão muito agradecidos.
A lista poderia continuar, mas isto é aquilo que me ocorre no imediato. 
O homem que disse que foi à Figueira da Foz fazer a rodagem a um carro, mas que curiosamente levava consigo discursos preparados, ofereceu-nos a todos inúmeras lições sobre como não estar na política. Cavaco é um exemplo vivo de uma má e lesiva intervenção na vida pública, e este texto é apenas uma pequena amostra daquilo que nos deixa e merece ser recordado.
Obrigado.
 
(na fotografia, Dias Loureiro aponta o caminho, Oliveira e Costa identifica uma nova oportunidade de negócio e Cavaco olha para o lado; desconheço o autor)

 

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

sexta-feira, outubro 23, 2015

Cavaquinho...

 
Para o PR 1 milhão de eleitores da "outra" esquerda não existe...
Para o PR 3 ou mais milhões de eleitores de um espectro politico que não o dele, não existe...
Para o PR estabilidade é o que ele entender...
Para o PR as eleições Legislativas são como um campeonato de futebol, o 1º a chegar ao topo ganha e o "Gaitán" é o maior...
Entendo que exista quem, aos 70 anos de idade, tenha uma sagacidade e uma capacidade de entender o passado, mas não viver refém dele, e projectar o futuro com a mente aberta...
Entendo que exista quem, aos 70 anos de idade, já não tenha sagacidade alguma e muito menos capacidade de entender que o passado já era e o futuro é o que nos resta mas que é agora, no presente, que tratamos dele...
Cavaco está obviamente na segunda categoria, ele que é, de facto e enquanto político, de segunda categoria.
Li algures pela blogoesfera que Cavaco teria sido igual a si próprio, ou seja, ele em 1º lugar, o partido em 2º lugar, depois os seus companheiros políticos e só depois, se não houver contratempos virá o país...é bem verdade!

quinta-feira, setembro 10, 2015

O debate do século...

 
 

..dizem eles!

Debate de merda foi o que foi.

Um primeiro-ministro que demosntrou toda a sua debilidade e um pretendente a primeiro-ministro que parecia estar um pouco receoso do fantasma de um ex-primeiro-ministro.

O argumento de que votar na esquerda é um retroceder às politicas Sócraticas é uma falácia, assim sendo não mais se votaria na esquerda com medo do passado, mas nós não vivemos do passado, vivemos o presente e projectámos o futuro, isto, vendo bem, lembra a velha máxima do medo incutido às populações, cuidado, é preferível votar nestes (na direita) pois assim já sabemos com o que contámos, independentemente de que o que se espera seja uma merda...

A idiotice de colar Sócrates a António Costa é um tiro nos pés.

Resumindo, foi uma merda este debate, não voto nem num nem noutro.


terça-feira, agosto 05, 2014

As cláusulas!


Hoje em dia está na moda a critica viperina sobre tudo e mais alguma coisa, nem sempre de forma apurada mas enfim...

Outra coisa que vou reparando é a quantidade de blogs (pseudo afectos) ao FC Porto, onde, algumas das suas criticas são mais propriamente de blogs benfiquistas do que portistas, mas isso são outros quinhentos....

Agora as cláusulas...

Esses pseudo blogs portistas perdem muito do seu tempo na critica fácil à forma como são efectuadas as vendas e as contratações com as cláusulas de rescisão lá inseridas, perdem muito tempo a analisar se o novo guarda redes do FC Porto é caro, e comparando-o ao Neuer, tem uma cláusula exorbitante, salvo erro de 30 milhões de euros...

A cláusula nunca foi um entrave à venda de nenhum jogador do mundo, é simplesmente um valor colocado num contrato onde, pagando esse tal valor estipulado, o clube detentor do passe do jogador, não tem como evitar a sua saída, vide caso Figo do Barcelona para o Real...

Abaixo desse valor deverá haver sempre negociação...o resto é conversa para boi dormir...Hulk por 100 milhões...Cardozo por 65 mihões...you name it!

Depois existem também os compulsivos obssessivos, que vêm sempre grandes teorias conspirativas nas compras e vendas, conhecem algum negócio no mundo que não circule à volta de conhecimentos e favores e onde não se opere no fio da navalha da legalidade? Conhecem?

Bancos?

Seguradoras?

Construtoras?

Comunicações?

Media?

Saúde/Laboratórios Farmacêuticos?

Sociedades de Advogados?

Organismos Politicos?

Organismos de fiscalização e de intervenção estatal?

O que distingue, um qualquer dirigente desportivo, de um banqueiro? De um politico? De um gestor de topo?

Onde existirem milhões envolvidos existirá sempre dúbias formas de gestão, o futebol não é excepcção, nunca o foi e nunca o será, mas também não poderá ser o bode expiatório de todas as más praticas do mercado!




quinta-feira, julho 24, 2014

Transfira tudo para o BES!

 
É garantido mais um caso supra nacional de burlas e esquemas ultra fraudolentos...

A prova provada que não basta falar com sotaque lisboeta, vestir Hugo Boss, usar relógios Audemars-Piguet ou afins e ser alcunhado de DDT (Dono Disto Tudo) para fazer estragos ao estilo TNT (Trinitrotolueno)...

Ronaldinho tens dinheirinho lá enfiado? É melhor sacares o guito de lá...

O que se passa no BES é mais uma vergonha classificativa das elites Portuguesas, descobrem-se ligações mirabolantes com alguns denominadores comuns, "alta" finança, "alta" política, "alta" advocacia...

O meu descrédito na banca é já muito longo e não pára de me surpreender!

Só não entendi ainda o porquê de não terem deixado caír o BPN, esse sorvedouro de dinheiro de gente trabalhadora...

Enfim gente "fina" é outra "loiça" não dizem caralhos nem fodasses mas a merda é a mesma ou N vezes pior que o Zé Pagode...

terça-feira, abril 19, 2011

Tartaruga num poste...







Enquanto suturava um ferimento na mão de um velho pedinte (cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo), o médico e o paciente começaram a conversar sobre o País, o governo e, fatalmente, sobre Sócrates...
O velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe, o Sócrates é como uma tartaruga em cima do poste...

Sem saber o que o velho quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga em cima do poste. Ao que o velho respondeu:
- É, quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste. Lá em cima tem uma tartaruga tentando equilibrar-se. Isso é uma tartaruga em cima do poste.
Perante a cara de espanto do médico, o velho acrescentou:
- Você não entende como ela chegou lá;
- Você não acredita que ela esteja lá;
- Você sabe que ela não subiu para lá sozinha;
- Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
- Você não entende bem porque a colocaram lá;
- Então, tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar!

quinta-feira, abril 07, 2011

segunda-feira, março 28, 2011

O Zé Pagode sempre com os olhos vendados...ponham lá os olhinhos nisto...





Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos.

Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão. A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota assim que os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman Brothers) entraram em colapso é um sonho que muitos europeus não se atrevem a ter. A Islândia não só o teve como o levou mais longe.

Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua.

Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento] exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco. E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde - chefiada por Johanna Sigurdardottir, actual primeira-ministra.

Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os problemas continuaram.


Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros - na sua maioria dos EUA e do Reino Unido - e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três. Com o colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares [cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses valores à Islândia.

Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens. Porém, o relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares. O resto teria de ser pago pela Islândia, agora detentora do banco. Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações - que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320 mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15 anos, com juros de 5,5%. A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.

Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto (até agora).

Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson, ex-presidente-executivo do Kaupthing. Einarsson é suspeito de fraude e de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é preso.

Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, etc. A nova Constituição será inspirada na da Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet. É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que não parece dar tréguas: é que toda a revolução islandesa está a passar despercebida nos media internacionais.

In: http://www.ionline.pt/conteudo/113267-islandia-o-povo-e-quem-mais-ordena-e-ja-tirou-o-pais-da-recessao